Pelotas, RS, Quarta, 03.09.2008
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Viva Bem: Tratamento com oxigênio



Procedimento pode acelerar a cura de feridas dos diabéticos

Ana Cláudia Dias

A utilização do oxigênio como tratamento auxiliar de úlceras de pressão, mais conhecidas por escaras ou feridas do pé diabético tem surpreendido usuários da rede pública de saúde em Rio Grande. As aplicações tópicas aceleram o processo de cicatrização e até salvaram pacientes da amputação iminente.
O uso da terapia com oxigênio na rede de postos de saúde do município partiu da iniciativa da enfermeira Cíntia Martins. Incentivada pelo projeto que deveria desenvolver na pós-graduação em Projetos Assistenciais, há aproximadamente cinco anos, a enfermeira escolheu o tema feridas. Diante desse desafio, passou a estudar todas as terapias existentes na literatura.
A idéia da aplicação tópica surgiu durante esses estudos. Cíntia entrou em contato com pesquisas que apontavam o oxigênio como fator facilitador da cicatrização. A partir daí chegou à aplicação do oxigênio hiperbárico, porém, sua utilização seria impossível em postos de saúde. Além disso, nas câmeras hiperbáricas há uma concentração diferenciada de O2. “O tratamento em câmeras hiperbáricas têm contra-indicações e necessita de uma equipe médica para ser utilizado”, esclarece.

Aplicação simplificada

A enfermeira simplificou o tratamento ao aplicar oxigênio diretamente no ferimento. Em pés e pernas ela utiliza sacos plásticos para isolar o local, durante a aplicação. Em regiões mais difíceis, pode-se improvisar um funil, exemplificou. “Expor a ferida a uma concentração de oxigênio acelera o processo de proliferação celular”, diz.
Logo no primeiro trabalho, em fevereiro de 2007, o paciente tinha indicativo de amputação. Como é um trabalho de testagem, a enfermeira conta que o paciente foi consultado sobre o procedimento. “Entre maio e abril do mesmo ano a ferida estava quase totalmente cicatrizada”, lembra. A indicação é feita quando a ferida não está infectada e o tempo máximo de aplicação utilizado foi de 15 minutos.
Cíntia faz questão de informar que a terapia ainda está em fase de estudos, mas que os resultados até agora têm sido muito animadores. Em Rio Grande mais de 30 pessoas se submeteram com êxito às aplicações de oxigênio tópico. De forma independente, a enfermeira segue quantificando os resultados.
A profissional também esclarece que a terapia é parte do curativo específico indicado a cada paciente. “Como enfermeira o meu papel é avaliar e indicar os cuidados, mas em tratamentos como esses é necessário um conjunto de ações indicado por equipe multidisciplinar, a inclusão da terapia nesse caso é um diferencial.”
Mesmo em caráter experimental o sucesso da terapia motivou a Secretaria Municipal a solicitar a Cíntia, que trabalha no Centro de Saúde, um treinamento para todos os enfermeiros e auxiliares de enfermagem da rede.

Resultado comprovado
Em junho deste ano a aposentada pelotense Vera Puggina, 60 anos, diabética desde os 11 anos, estava internada para o tratamento cirúrgico de uma úlcera na ponta do pé esquerdo, manifestada desde abril de 2007. Alertada pelas amigas Iná Jeannes, 60 anos, e Madalena de Souza, 65 anos, ambas diabéticas, sobre a oxigenioterapia difundida em Rio Grande pela enfermeira Cíntia Martins, questionou o médico que a trata, o angiologista Estebam Kiss, sobre a possibilidade de se submeter a tal terapia.
Avaliada a possibilidade, o médico optou pela terapia. “Fiz a cirurgia em junho e em julho a oxigenação”, conta Vera maravilhada com a rápida recuperação dos tecidos do pé. A aposentada foi submetida a dez aplicações de duas horas, duas vezes por dia, no hospital Beneficência Portuguesa. “A cicatrização está ótima”, conta Vera.
Essa não foi a primeira vez que Vera teve problemas com úlceras diabéticas. “Desde 2001 começaram a aparecer as úlceras no pé esquerdo, a do calcanhar levou três anos para curar, depois passou para o plantar do pé, nesse tempo todo tive várias ameaças de amputação.”
Feliz com a rapidez da cicatrização, Vera e as amigas querem que a terapia seja implantada nos postos de saúde de Pelotas. “A técnica é simples - no caso de Vera o pé foi isolado com um saco plástico - e poderia salvar muitas pessoas da amputação.”

Melhorias sem milagres



Segundo o angiologista e cirurgião vascular Esteban Kiss a oxigenioterapia não é mágica, mas tudo o que vem a acrescentar ao tratamento de pacientes com feridas é bem-vindo. “A oxigenioterapia hiperbárica é conhecido há algum tempo”, comenta
O angiologista diz que esse tipo de tratamento é experimental e até agora não se tem certeza de que realmente funciona. “Alguns utlizaram com sucesso, mas outros não tiveram o resultado esperado. É uma alternativa a mais de tratamento”, comenta.
A melhor indicação é no tratamento complementar para pessoas que têm úlceras ou feridas nos pés. Em câmeras hiperbáricas, a extremidade que está com ulceração fica exposta à alta concentração de oxigênio e a uma pressão elevada.
O especialista diz que os diabéticos costumam ter problemas circulatórios nas pernas associados com a diminuição da sensibilidade. Por causa disso se machucam mais vezes e o tratamento é mais lento. “Nessa conjuntura é comum terem as extremidades amputadas.”
O médico alerta para a prevenção como a melhor forma de se ficar longe das úlceras. Entre as recomendações estão o uso de sapatos macios, que não apertem e nem façam bolhas, cortar unhas e cutículas com cuidado, de preferência com podólogos, inspecionar os pés diariamente para ver se não há ferida ou calo e evitar as frieiras.
“Também ajuda manter o diabete controlado, bem como outros fatores de risco, como pressão alta, colesterol e triglicerídeos”, aconselha o especialista. Evitar o fumo e a obesidade, bem como praticar exercícios físicos também são essenciais para uma melhor qualidade de vida do diabético.

Artigo

Hepatite C,
uma questão de saúde pública

A hepatite C é a mais comum infecção crônica veiculada pelo sangue. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, em todo o mundo, existem 180 milhões de pessoas com a forma crônica da doença, com cerca de quatro milhões de novos casos de infecção descobertos por ano. Além disso, todas as pessoas que receberam sangue antes de 1992 têm grandes riscos de estarem infectadas com o vírus HCV, causador da hepatite C, pois, antes dessa data, o material destinado às transfusões não era analisado para a detecção dessa doença.
Silenciosa, a enfermidade pode não se manifestar por até 20 anos. Por esse motivo, os portadores podem descobrir sua condição em um estágio muito avançado, quando já existem grandes riscos de cirrose, câncer de fígado e insuficiência hepática. Aproximadamente 90% das pessoas com hepatite C não sabem que estão infectadas. Isso faz da doença um dos mais sérios problemas de saúde pública, sendo a principal causa de transplante de fígado no País, onde a enfermidade já infecta cinco vezes mais que a Aids. Segundo o Ministério da Saúde já são dois milhões de infectados, ou seja, 1,5% da população brasileira. Os números também apontam que a hepatite C apresenta a taxa de mortalidade com maior crescimento, tendo aumentado 30,6% nos últimos anos.
O vírus é transmitido pelo contato com sangue contaminado. Ao contrário do que alguns pensam, viver na mesma casa, apertar a mão, abraçar ou beijar uma pessoa com hepatite não traz nenhum risco de contaminação. As formas mais comuns de contágio são manipulação com material contaminado que corte ou fure a pele, como lâminas, bisturis, alicates e agulhas ou o uso de drogas com agulhas e seringas compartilhadas. O hábito de fazer as unhas é outro exemplo de risco para as mulheres. Embora praticamente todos os salões de beleza trabalhem com materiais esterilizados, muitas vezes a forma de disposição de alicates nas estufas resulta em uma esterilização incorreta. Somente em 2006, o Ministério da Saúde, por meio do Sinan (Sistema de Informação de Agravo de Notificação), registrou mais de 3,2 mil novos casos de mulheres contaminadas por esta forma da doença. Algumas delas podem ter sido infectadas por meio de alicates durante visitas à manicure. Nesse caso, a melhor dica para não se expor ao risco de contaminação é que as mulheres tenham seu próprio kit manicure.
Apesar de ser um problema bastante sério, nada impede que o portador da hepatite C possa ter uma vida normal. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fatores primordiais para que a saúde seja recuperada. Cerca de 20% dos infectados eliminam o vírus espontaneamente. Dos 80% restantes, quase dois terços, quando tratados corretamente, são curados. Hoje o tratamento mais avançado é a combinação de interferon peguilado com ribavirina, disponíveis na rede pública de saúde. É provável que, no futuro, a terapia da hepatite C exija combinações de novas drogas antivirais, algumas já em pesquisa.

Rafael Sani Simões
Médico infectologista e especialista na área de doenças infecciosas e parasitárias

Dica de livro

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