Pelotas, RS, Domingo, 05.11.2006
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Estilo: O Brasil conhece o Cordel - A evolução musical do quinteto pernambucano



Aleksander Aguilar - Especial

Ali tem samba de coco, tem Jackson do Pandeiro e inclusive Luís Gonzaga, mas na Europa a violência da percussão já soou como um punk heavy sound (som pesado). Não surpreendentemente, porém, eles somam-se - talvez sensatos - ao coro da geração dos músicos brasileiros dos “anos 2000” que evitam rótulos. Ou talvez o discurso seja repetido pela necessidade de avisar que não estão aqui para sustentar a bandeira do regionalismo. Mudaram do interior de Pernambuco para a cosmopolita São Paulo e de lá transitam, já em terceira turnê, por todo o Brasil, em mudanças que garantem ao Cordel do Fogo Encantado o poder e a evolução que caracterizam o grupo. O Rio Grande do Sul mais uma vez foi incluído como um dos locais de divulgação do trabalho do quinteto que dessa vez apresenta o seu terceiro e provavelmente melhor disco.

Transfiguração mudou o processo criativo dos primeiros dois trabalhos, quando os registros foram mais teatrais

O espetáculo Transfiguração foi apresentado aos gaúchos dia 25 de outubro no Bar Opinião, em Porto Alegre, cidade onde os integrantes do Cordel reconhecem que se dá uma relação de empatia que confirma a universalidade da arte que produzem. “O Rio Grande do Sul é simbólico por ser considerado uma região tão diferente da nossa origem e ainda assim permitir mostrar que para a arte essa diferença não existe mais”, conta o vocalista do Cordel, Lirinha.
Ainda nobres desconhecidos de muita gente, embora tenham iniciado a formação da banda em 1998, os jovens músicos do Cordel colocam o público que vai aos seus shows num transe quase tão intenso como o que Lirinha parece estar quando no palco. Marcados pelo estereótipo redutor de arte regional, que se faz presente logo de cara pela palavra Cordel no nome do grupo, os artistas destroem o suposto estigma para aqueles que experienciam, ao vivo, a força de suas batidas, a performance teatral honesta, a cenografia e iluminação apaixonantes, o lirismo dos textos e, no caso do mais recente álbum, a força não apenas da percussão, mas também melódica.
Como o nome do disco sugere e demarca, o Cordel do Fogo Encantado, em Transfiguração, mudou o processo criativo. Abriu mão - por evolução e não por adequação - de dar prioridade aos registros sonoros do espetáculo teatral que caracterizaram os dois primeiros discos e se empenharam em realizar sonoramente algo que pudesse ser saboreado com mais facilidade e independentemente do palco.
Com efeito, ao invés da carga trágica e melancólica do Palhaço do circo sem futuro (segundo disco) ou do acento um tanto bairrista (mas talvez necessário) que se percebe no primeiro trabalho, Transfiguração acaba sendo o disco mais fácil de ser escutado. “Mergulhamos no estúdio. Invertemos o processo de criação e pensamos as canções antes do espetáculo”, explicou Lirinha. A idéia foi pautar a leveza como um atenuante do drama e do peso que a irrepreensível percussão cria e para isso escolheram produtores vinculados à música e não ao teatro, como o gaúcho Carlos Eduardo Miranda.

Eu vivo aqui
Porto Alegre desde 1999, quando o Cordel fez sua primeira e insólita aparição pelo sul, reconhece a originalidade e poder do grupo que gostou tanto da receptividade gaúcha que incluiu, no primeiro CD, o poema Ai se sesse, recitado por Lirinha durante o espetáculo. Em 2006, após anos de mutações e transfigurações, a consciência criativa da banda permitiu músicas como Aqui ou Memórias do cárcere, em referência ao escritor Graciliano Ramos, que joga com sofisticação e simplicidade a noção de pertencer a algum lugar. Sobre as folhas ou O barão nas árvores, que é o nome de um livro do escritor Ítalo Calvino, também exemplifica a riqueza de brincadeiras e inferências literárias que perpassa toda a obra do Cordel numa equação em que a arte, universal, é a resultante que unifica desde o interior de Pernambuco até o sul do Rio Grande do Sul.

Serviço
Cordel do Fogo Encantado
www.cordeldofogoencantado.com.br
Formação
Clayton Barros: violão e voz, Emerson Calado: percussão e vocal, Lirinha: voz e pandeiro, Nego Henrique: percussão e vocal, Rafa Almeida: percussão e vocal
Discografia
Cordel do fogo encantado (1999)
O palhaço do circo sem futuro (2001)
Transfiguração (2006)


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