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Cidade: História das histórias de alfabetização

Diário Popular

Aleksander Aguilar
Os leitores pelotenses mais experientes, em especial aqueles com mais de 50 anos, provavelmente não precisarão de muito esforço para lembrar de uma personagem que esteve bastante presente na infância durante as aulas de alfabetização. As lições da Cartilha da Lili fazem parte da história de um dos métodos de alfabetização mais utilizados na rede pública de ensino na metade do século passado. Hoje o livro é um dos principais objetos de pesquisa do Centro de Estudos e Investigações em História da Educação (Ceihe), da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Pelotas (Fae/UFPel). Junto com Lili, Marcelo, Vera e Faísca; Sarita e seus amiguinhos e a Cartilha do Guri são alguns exemplos dos materiais que para muita gente pode parecer apenas livros velhos, no entanto nas mãos dos pesquisadores do Ceihe revelam as evoluções pedagógicas e didáticas da educação em Pelotas e no país.
O projeto Cartilhas escolares - ideários, práticas pedagógicas e editoriais é uma das pesquisas que integram o vasto rol de produções científicas desenvolvidas pelo Ceihe. O Centro, fundado em 2000, é coordenado pelos professores da FaE/UFPel Elomar Tambar, Eliane Peres e Giana Lange do Amaral, reúne pesquisadores e alunos de graduação e pós-graduação da história da educação e é reconhecido local e nacionalmente como referência na área, consolidando no município um endereço para a preservação da memória da educação em Pelotas.
O grupo já desenvolveu pesquisas sobre o Colégio Santa Margarida, Educação de Mulheres no século XIX, Escolas alemãs em Pelotas e a atual produção é tanta que em agosto serão apresentados 23 trabalhos no Encontro da Associação Sul Rio-grandense de Pesquisadores de História da Educação (Asphe), na Unisinos. Neste mês a Educação em Pelotas no governo Augusto Simões Lopes Neto é o tema de um outro trabalho que será apresentado em Sidney, na Austrália, na Conferência Internacional de História da Educação (Ische). "Os temas das pesquisas que desenvolvemos são sempre especialmente sobre Pelotas", apontou a professora Eliane Peres.
TRÊS NÃO É DEMAIS
O projeto sobre as cartilhas escolares tem merecido atenção especial do Ceihe. A pesquisa é interinstitucional e reúne pesquisadores das universidades federais de Minas Gerais, Mato Grosso e Pelotas. A idéia é realizar um levantamento e uma análise qualitativa das cartilhas nacionais que circularam no Brasil entre 1870 e 1996. "Esse trabalho permite compreender a política de alfabetização e do livro didático no período em questão e estabelecer relações das concepções de leitura e escrita presentes nas cartilhas com o contexto histórico em que emergem", explicou Eliane.
A análise das cartilhas está em prática desde 2001. Durante seu curso de doutorado na UFMG, Eliane articulou a relação com o Centro de Alfabetização Leitura e Escrita (Ceale) daquela universidade - referência nacional na área e órgão responsável, por exemplo, pela seleção dos livros didáticos usados no país - e se estabeleceu a parceria, em seguida também com a UFMT, que tem possibilitado um importante intercâmbio de conhecimento.
NOSTALGIA
"Algumas cartilhas tornaram-se verdadeiros best-sellers na área de leitura e escrita", garante a pesquisadora do Cehie e também professora da FaE/UFPel, Gilceane Porto. Seu trabalho inclui especialmente a utilização do chamado método global de contos - que durante a década de 50 era o que havia de mais moderno em alfabetização - no Instituto de Educação Assis Brasil. É aí que se destaca a Cartilha da Lili, que utilizava lições como: "Olhem para mim. Eu me chamo Lili. Eu comi muito doce. Vocês gostam de doce? Eu gosto tanto de doce! 'Muitas professoras se emocionam quando vêem e relembram desse material'", contou Gilceane.
Os especialistas em educação afirmam que os métodos de leitura podem ser divididos em sintéticos e analíticos e ambos procuram fazer a criança compreender a correspondência entre os símbolos da língua escrita e os sons da linguagem oral. No método sintético a criança aprende a ler cada letra e as condensa em uma leitura única. A forma mais antiga é a soletração, em que alunos e professores cantarolavam juntos coisas como bê-á-bá; ele-a-la; eme-e-me. O método analítico coloca a criança diante da língua escrita tão complexa quanto se possa apresentar, como sentenças e textos. "Geralmente as antigas mestras que usavam esse método acham que não têm nada a dizer, mas o que elas fizeram foi muito rico e fazia parte do que havia de mais moderno no país", opinou a pesquisadora.
Outras cartilhas que se destacam nessa linha são a Queres ler?, da década de 20, organizada por professoras de Porto Alegre a partir de uma missão feita no Uruguai; a Caminho suave, publicada em 1948, e ainda Os três porquinhos, da professora mineira Lúcia Casasanta.
EM BUSCA DE MATERIAL
O Ceihe está à procura de material para dar continuidade à pesquisa. Livros didáticos, diários de classe, cartilhas antigas, manuais do professor, cadernos de alunos e jornais de escolas são exemplos de documentos utilizados pelo Centro. "Para chegar a todas essas conclusões e esclarecer a história da educação em Pelotas precisamos que a comunidade faça a doação desses materiais", explicou Gilceane. O telefone para contatar os pesquisadores é 278-6653, na FaE/UFPel.


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