Pelotas, RS, Sexta, 18.07.2003
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Editorial:



Desenvolvimento limitado pela renda

A propósito da passagem, na quarta-feira, do Dia do Comerciante, o presidente da Associação Comercial de Pelotas (ACP), Edson Nobre, fez uma avaliação da situação atual e das perspectivas do setor do comércio no Município, com análise muito interessante sobre a relevante questão da possibilidade de novos investimentos aqui. Considera o presidente da ACP que a diversidade de oportunidades de ensino atrai consumidores - um aspecto positivo para Pelotas, pólo econômico regional, com potencial de um milhão de consumidores. Observa que existe, porém, o fator limitante do baixo poder aquisitivo da maioria da população.

Conforme a avaliação do líder empresarial, a população cresce rapidamente, mas a economia não se desenvolve com essa mesma velocidade. Não vislumbra nenhum investimento de grande porte para a região, que, na sua opinião, mostra-se adversa para novos empreendedores, quando comparada com outras regiões do Estado. Um dos problemas é que políticas governamentais afetam o poder de compra da região, atingindo, negativamente, o funcionalismo público de todos os níveis - federal, estadual e municipal. Sendo o próprio presidente da ACP um bom exemplo, como empresário, de que, mesmo nas atuais circunstâncias, esta é uma região que apresenta oportunidade para empreender, evidencia-se a necessidade de mais trabalho, maior investimento em pessoal, redução de custos e de perdas - em suma, maior dinamismo e eficácia empresarial.

Um dos problemas estruturais da economia de Pelotas - que é também do Sul do Estado, de modo geral - é a matriz produtiva ainda muito dependente do desempenho do setor agropecuário, com produção de baixo valor agregado e com ritmo bastante sazonal, concentrando-se as atividades no período do verão. O resultado é que o Produto Interno Bruto (PIB) de Pelotas, como dos demais municípios da Metade Sul, é baixo. Além disso, o PIB pelotense manteve-se mais ou menos o mesmo durante todo o período de 1990 a 2001, conforme dados do Itepa (UCPel).

Esta característica deve ter, provavelmente, influído para Pelotas não constar da relação dos 20 municípios gaúchos com melhor Índice de Desenvolvimento Socioeconômico (Idese), criado pela Fundação de Economia e Estatística (FEE) e divulgado na quinta-feira. O Idese se baseia em quatro grupos de indicadores: domicílio e saneamento, educação, saúde e renda. A situação de Pelotas é relativamente boa, no contexto estadual, em todos esses indicadores, com exceção da renda. A maioria dos 20 referidos municípios - com mais alto Idese - tem a economia baseada na indústria ou nos serviços. O setor industrial de Pelotas é tão pouco desenvolvido que nem o bom desempenho do comércio consegue compensar este problema e elevar o Idese pelotense a ponto de colocá-lo entre os 20 mais altos do Estado. É um tema que deveria ser analisado pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento de Pelotas.


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