Motor: Venda de carro popular pode crescer 10% com pacote do Governo
O pacote emergencial que o Governo promete lançar para estimular o mercado de automóveis deve resultar em aumento de 10% nas vendas de carros populares e de cerca de 6,5% nos negócios com modelos médios, com motor de até 1.8, alvos do programa. O cálculo leva em conta a redução de impostos, que deve ficar em quatro pontos porcentuais, sendo três de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e um de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Com um programa especial de financiamento, que também faz parte do projeto, o incremento nos negócios pode ser ainda maior. A indústria automobilística vem perdendo importância em sua representatividade na economia brasileira, mas, por ser um setor com grande capacidade de retomada, foi escolhida pelo Governo como a mola propulsora para a volta do crescimento. O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, confirmou a disposição do Governo em promover a redução de impostos, mas a decisão terá de passar pelo crivo do Ministério da Fazenda e dos Estados. A projeção de aumento de vendas foi calculada com base nos resultados obtidos pelo setor automobilístico em acordos anteriores que envolveram a redução de impostos, e estudos de elasticidade de preços, pelo consultor José Eduardo Favaretto, que há vários anos assessora as montadoras. Pelas suas contas, se os porcentuais de redução de impostos ficarem na proporção prevista pelo programa emergencial entregue ao governo, um carro popular terá desconto aproximado de 4,1% no preço, e o médio de 4,9%. Um modelo 1.0 que custe R$ 16 mil teria abatimento de R$ 650. Para um modelo mais caro, na faixa de R$ 25 mil, a redução poderia chegar a R$ 1,2 mil. O acordo dos carros pode ter duração de um ano e não envolveria modelos considerados top de linha, aqueles com vários opcionais, segundo setores envolvidos na negociação. Embora o ministro Furlan tenha adiantado, na semana passada, que o anúncio poderia ocorrer ainda este mês, representantes da indústria não acreditam que o pacote fique pronto no curto prazo. Já o programa de incentivo à modernização da frota de caminhões, o chamado Modercarga, tem mais chances de ser anunciado nos próximos dias. Há várias versões sobre os itens do programa dos automóveis, que foi elaborado pelas montadoras, fabricantes de autopeças, revendedores e representantes dos trabalhadores. A proposta é consenso entre as partes envolvidas, mas pode sofrer mudanças nas mãos da equipe econômica. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) teme que as expectativas em torno do pacote paralisem as vendas de carros, que já vêm registrando quedas consecutivas. ERRO ESTRATÉGICO - O presidente da Anfavea, Ricardo Carvalho, tem dúvidas se as medidas previstas serão suficientes diante do agravamento da crise no setor. "Acordos emergenciais ajudam, mas não sustentam as vendas no longo prazo." O mais importante, em sua opinião, é o fórum de competitividade que será instalado mais adiante para discutir questões estruturais do setor que passam, por exemplo, por um programa de renovação da frota de carros velhos. Carvalho diz que a indústria paga hoje alto preço por ter montado uma estrutura para produzir 3,2 milhões de veículos, enquanto o mercado interno deve consumir menos de 1,3 milhão de unidades. O mercado externo, mesmo em expansão, deve comprar perto de 550 mil unidades. Com isso, as fábricas devem operar apenas com 56% de sua capacidade. "A mola de sustentação da indústria tem de ser o mercado interno", afirma o executivo. Quando o mercado interno perde a capacidade de compra, o setor reduz suas condições de modernização e de receber novos investimentos. Segundo Carvalho, o mercado externo também está volátil e já há contratos de exportação sendo revistos. Na opinião do presidente da Volkswagen do Brasil, Paul Fleming, a indústria automobilística vive hoje o pior momento de sua história. Segundo ele, apesar das várias crises do passado - algumas delas também socorridas por acordos temporários envolvendo queda de tributos - hoje a situação é mais grave. As empresas investiram cerca de 20 bilhões de dólares desde meados dos anos 90 em novas fábricas e modernização de linhas de montagem e estão operando no vermelho.
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