Pelotas, RS, Sexta, 18.07.2003
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Ponto de Vista:



Eles moram mais pra cima!

Rubens Amador

O Brasil nunca invadiu povo nenhum sob mentiras; jamais exerceu qualquer coerção para com outras nações; é um povo pacífico por natureza; pretende erradicar a fome; nunca jogou bomba atômica na cabeça de ninguém; não conhece o desfolhante laranja; não possui gazes letais para destruição em massa; não usa dinheiro como arma política; não quer mudar o mundo começando pelos outros; aqui não se fica atirando de rifle em colégios, nas ruas ou edifícios; não se cometem suicídios em massa com um milhar de vítimas, tudo pelo fanatismo; não temos ku-klux-klan; enfim, somos pobres porém decentes, como diria um nordestino com seu sotaque peculiar.
Pois não é que nos cai um tornado, ciclone ou assemelhado, lá sobre a pacata São Francisco de Paula? (não foi considerado nem o onomástico do santo!) Pois naquela fria cidade e adjacências, um "mandado" destruiu centenas de casas; as águas cresceram, tudo arrostando de material, que vítima física até agora só teve uma e assim mesmo por este mal que vagueia de coração em coração como um pardal saltintante: o infarto. Apenas uma pobre senhora, vendo sua casa, em cerca de 30 segundos, ser pulverizada por um vento fortíssimo seguido de formidável sucção, tombou fulminada sem emitir um ai. Imaginemos o que não aconteceu também lá no Iraque, com outras famílias que tiveram suas casas destruídas por bombas não provindas aleatoriamente da natureza, mas ardilosamente pensadas, miras e laser pré-ajustadas e deliberadamente jogadas com o fito de destruir apenas, porquanto os "inimigos" nem tinham trincheiras, fardamentos, tanques, sequer armas adequadas para lutar contra soldados profissionais de larga experiência. Derrubaram um que outro helicóptero a tiros de revólver.
Mas voltando à tragédia climática horrível ocorrida no norte do Estado, tem dó, mas nós não merecíamos tal desgraça, Senhor. Ainda mais naquele povo simples de lá, trabalhador; não bastando as baixas temperaturas que enfrentam nos invernos; pois inauguraram em nosso país este tipo de tragédia por ciclone, tornado ou equivalente, coisa a que por aqui a gente não está acostumado e pouco se ouve falar.
Não tenho dúvida de que o que veio de lá do céu foi tudo um lamentável equívoco! São Pedro está muito velhinho...
Sumarizando, se eu pudesse, mandaria construir um gigantesco outdoor voltado para cima, com os dizeres: "Senhor, eles moram mais para cima, passando o México; embora aqui também seja América!"


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