Editorial:
A opção por um curso superior é feita, atualmente, por influência de fatores diferentes de alguns anos atrás, refletindo muito as novas condições do mercado de trabalho. Uma conseqüência é o expressivo crescimento do número de cursos superiores da área de tecnologia. Pelotas destaca-se, a respeito, não só pelo pioneirismo, no Brasil, mas sobretudo pela ótima qualidade dos cursos recentemente criados pelo Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet/RS), como o de Tecnologia em Sistemas de Telecomunicações e o de Controle Ambiental.
Em 2001, o Ministério da Educação homologou e publicou, no Diário Oficial da União, parecer do CNE/CES que esclarece a eficácia dos cursos superiores de tecnologia como de graduação. Este entendimento, que já havia sido manifestado, em 1984, pelo Conselho Federal de Educação, garante ao graduado a possibilidade de prosseguir seus estudos em pós-graduação lato ou stricto sensu. Os cursos superiores de tecnologia vêm ao encontro de necessidades regionais, tendo em vista a realidade local e as tendências socioeconômicas do País e do mundo. Inserem o estudante em um processo de construção de competências e de habilidades que lhe serão exigidas e cumprem um importante papel de favorecer condições de qualificação profissional e ascensão social. Observa-se que, relativamente a esses cursos, ainda existem incertezas, o que se explica pois há pouco tempo foram incluídos na estrutura da educação de nível superior. É necessária melhor divulgação para que ganhem o devido espaço. Os cursos de tecnologia, por suas peculiaridades, têm, geralmente, duração diferente do bacharelado. Um curso de Sistemas de Informação, por exemplo, pode ser feito em dois anos e meio.
No Brasil, em 2000, havia um milhão de alunos matriculados em cursos superiores de tecnologia. Considerando-se que, neste ano, o total de matrículas no Ensino Superior, no País, foi de 2,69 milhões, o número de alunos em cursos de tecnologia correspondia a 37% do contingente geral. Está, portanto, crescendo rapidamente a demanda e a oferta do novo tipo de curso; neste contexto nacional, Pelotas se destaca, como um dos principais pólos de formação de tecnólogos, devido à atuação do Cefet/RS. Nos Estados Unidos, França e Chile, por exemplo, quase metade dos diplomados em cursos superiores é formada em cursos de tecnologia. É um dado que contribui para desfazer algum preconceito que ainda exista com relação a esse tipo de curso. Ao contrário do que se julga, eles são cada vez mais valorizados nas regiões desenvolvidas por corresponderem à dinâmica do mercado de trabalho. Em Pelotas, a demanda pelos profissionais que se formam ainda está muito aquém da oferta. A incubadora empresarial do Cefet/RS pode criar condições para seu melhor aproveitamento, pelo desenvolvimento do espírito empreendedor e inovador.
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