Pelotas, RS, Domingo, 22.12.2002
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Rural: Receita com exportação de carnes de frango e de suínos cresce 35%

Diário Popular

A receita das exportações de frango e de suínos registrou crescimento de 35% entre janeiro e novembro, em relação ao mesmo período no ano passado. Segundo dados divulgados de sábado, no Rio, pela Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frango (Abef) e pela Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Suínos (Abipecs), as exportações somaram 1,9 bilhão de dólares, sendo R$ 1,45 bilhão com exportações de frango.
Em volume, o crescimento registrado foi de 77% nas exportações de suínos e de 29% nas exportações de frango. Para o próximo ano, a previsão do setor é de crescimento de 8% no setor de aves e de 15% de suínos. Para o ministro da Agricultura e Abastecimento, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, esta meta só será obtida se o próximo governo seguir a "linha dura" adotada na política agrícola.
Ele citou como exemplo de obstáculos que possam atingir esta meta o fato de a União Européia estar usando de "malandragem" para tentar barrar as importações de carne de frango salgada, que representam 300 milhões de dólares.
Segundo a Abef, o segmento de frangos de corte é o que está puxando as exportações do setor. Em novembro, o segmento repetiu o desempenho que vinha sendo registrado nas exportações nos dois meses anteriores. O volume embarcado de frangos de corte aumentou 51%, em comparação com o mesmo mês em 2001.
A receita das exportações totais de frango não refletiu o mesmo índice de crescimento de embarques no volume. Apesar do volume ter crescido 29%, a receita passou de 1,22 bilhão de dólares para 1,28 bilhão de dólares, uma elevação de 5%. "Esta diferença no crescimento entre o volume e a receita se deve a uma queda no preço médio do frango no mercado mundial", explicou Cláudio Martins, diretor-executivo da Abef e da Abipecs. Segundo ele, o preço médio do frango exportado caiu de 1,061 dólares para 0,863 dólares, queda de 18,68% em comparação com 2001.
Apesar de o Oriente Médio ser o principal destino das exportações de frango, com cerca de um terço do total, a Rússia foi o principal responsável pelo crescimento no volume embarcado. A Rússia atingiu este ano um total de 122 mil toneladas, ante 51 mil toneladas no mesmo período no ano passado - um crescimento de 121%. Influenciado pela crise argentina, o Mercosul apresentou queda nas importações de 97%. A mesma retração foi registrada nas exportações de suínos.
Responsável por importar 80% da carne suína brasileira, a Rússia aumentou seu volume em 149% com relação ao mesmo período no ano passado. Em contrapartida, a Argentina, um dos principais importadores da carne suína brasileira, teve redução de 81% no volume importado, atingindo a apenas sete mil toneladas.
Martins aposta principalmente no potencial dos mercados da China e Rússia, além da tentativa de o setor se estabelecer nos Estados Unidos. Ele acredita que a análise de risco prevista para ser feita no próximo ano por técnicos americanos, a exemplo do que fizeram os canadenses, pode contribuir para a expansão das exportações de frango. "Exportar para os Estados Unidos nos credencia para entrar em outros mercados", afirmou. (AE)


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