Pelotas, RS, Domingo, 22.12.2002
busca nesta edição
 
Adicionar Diário Popular aos favoritos
Diário Popular como página inicial
Favoritos
Pag. inicial
Capa
Charge
Contracapa
Seções
Cidade
Cultura
Economia
Esporte
Estado
Exterior
Nacional
Polícia
Rural
Colunas
Afonso Ritter
Artigo
Editorial
Espaço livre
Espeto Corrido
Horóscopo
Instantâneos
Maria Alice Estrela
Mário Osório Magalhães
Ponto de Vista
Thais Russomano
Turfe
Cadernos
Variedades
Zona sul

 


 

Mário Osório Magalhães:


"Outros haverão de ter/o que houvermos de perder./Outros poderão achar/o que, no nosso encontrar/foi achado, ou não achado,/segundo o destino dado./Mas o que a eles não toca/é a Magia que evoca/o Longe e faz História."
Utilizando esses versos - de Fernando Pessoa - como epígrafe, o escritor Aldyr Garcia Schlee compôs o prefácio do meu livro, História do Rio Grande do Sul, que escrevi este final de ano por encomenda da Escola Mário Quintana (e que se encontra à venda, com exclusividade, na Livraria Santo Ivo -Galeria Zanin, rua Félix da Cunha, defronte à Católica).
Não foi apenas a melhor crítica que recebi, até hoje, sobre qualquer dos meus livros: foi o melhor presente que ganhei, em todos os novembros, de aniversário; foi o mais longo e, também, o mais belo cartão que me enviaram, até o momento, às vésperas de um Natal. Mais do que isso: considerando-se que alguma vaidade, bem dosada, faz muito bem à saúde, é para mim a certeza de que poderei viver, com alegria e paz, um novo ano. Diz assim o prefácio:
"O futuro será, o presente é, o passado foi. Parece simples; mas nesse eterno jogo do tempo com cada um de nós e com toda a Humanidade, estamos aparentemente condenados a uma submissão tão grande ao presente, por ele parecemos tão dominados, que é como se perdêssemos sempre e não resistíssemos a sua dimensão avassaladora. O bom é que - mesmo pensando que perdemos o jogo a cada segundo, minuto, hora, dia, mês, ano... - não desistimos; e, não encontrando maneira melhor de dele desfrutar, tendemos a fazer de conta que não perdemos; isto é, refugiamo-nos no sonho e na memória. Como que driblamos o presente no sonhar e no recordar; e, assim, vivendo uma sucessão infinita de presentes, puxados para trás ou empurrados para a frente, levamos a vida e ainda nos sentimos autorizados a acreditar no futuro e ter esperança; e a relembrar o passado, e ter saudade.
E temos a salvação dessa "Magia que evoca o Longe"...
Tudo porque o que acontece mesmo, nesse nosso jogo com o tempo, é que somos levados a driblar a nós mesmos sempre e sempre, ante a contraditória imponderabilidade do presente, que só faz fugir de nós a todo o instante e que assim, de fato, a cada instante se faz passado - tanto que, se nos descuidamos, logo logo faz do agora antes e do hoje ontem; faz do presente que está sendo... presente que já não está sendo - presente que já não é presente, porque já foi.
Mas, há essa 'Magia que evoca o Longe e faz História'.
Nossa dimensão temporal e histórica - a condição humana - segura-nos o presente na exata medida de nossas vidas; que é também a exata medida de nosso passado. Por isso, para nós, viver é sempre estar encontrando o presente no passado; e trazer o presente do passado constitui a marca de nossa temporalidade e de nossa historicidade. Por isso, fazemos nossa História; e temos História.
Narrar a História; aí já é outra história... Mas narrar a História também é fazer História...
Isso tudo eu penso (pensei) enquanto escrevo (escrevia) estas linhas, depois de ter lido a História do Rio Grande do Sul que Mario Osorio Magalhães foi buscar entre 1626 e 1930 e nos traz neste livro que ele quis pequeno e modesto mas no qual 'consegue conciliar a interpretação mais profunda da nossa história regional com a narrativa pormenorizada, porém sintética, dos fatos que se sucederam'.
Isso tudo eu penso (pensei) porque reconheço em Mario Osorio Magalhães - independentemente de ser meu amigo querido, duplamente ex-aluno e colega nas mais variadas formas - um tipo muito singular de historiador que, apesar de seus dotes e ares de ficcionista (até parecido fisicamente com Machado de Assis moço), tem um compromisso figadal com a História, especialmente com a nossa História de Pelotas (que é quase a História da família dele, porque também é a História de Pelotas do avô dele - Fernando Osório) e a própria História do Rio Grande (que se confunde, na paz e na guerra, tantas vezes com a História do General Osório - trisavô dele).
Assim, Mario - histórias à parte e sem exagero - está por dentro da História. Está tão entranhavelmente ligado ao passado de Pelotas e ao passado do Rio Grande do Sul que só ele mesmo para, quase por compromisso de vida e bem a sua maneira, trazer até nós o presente desse passado; e fazer História.
Mario dá tal tratamento literário a sua narrativa que mais parece um memorialista que testemunhou tudo, emergindo de muito longe com os fatos - para dar seu depoimento e transmitir o vivido aos contemporâneos e às novas gerações, com a naturalidade, a seriedade e as explicações de quem tudo sabe e tudo viu. Consegue, assim, sem necessidade de estabelecer uma relação mítica com o passado e sem se deixar dominar pelo espírito de comemoração - tão ao gosto, ainda, da maioria dos historiadores - construir um relato que revê e reelabora o processo civilizatório sul-rio-grandense com a clareza e a precisão de uma ótica muito particular, acentuada pela marca característica de seu refinado senso de humor e permeada de sua subjacente ironia.
'Outros poderão achar o que, no nosso encontrar foi achado, ou não achado, segundo o destino dado.'
Agora (depois): o que é que foi, o que foi que é na História do Rio Grande do Sul - está aqui; está tudo aqui, para que o leitor possa encontrar e melhor compreender o sentido da formação histórica sul-rio-grandense, sem perder de vista a importância das datas e dos acontecimentos - exatamente como quis Mario Osorio Magalhães."


»Capa

 
 
Melhor se visualizado com Internet Explorer 5.0 ou superior resolução mínima 800x600.
- www.diariopopular.com.br - Todos os direitos reservados a Gráfica Diário Popular Ltda.
Rua XV de Novembro, 718 - Telefone:(0xx53) 284-7000 - Pelotas/RS