Pelotas, RS, Sábado, 26.11.2005
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Cultura: Um descendente dos trovadores medievais



Aleksander Aguilar
Especial de Londres, Inglaterra

O refrão da música com a qual Lenine abriu seu primeiro espetáculo em Londres, após cinco anos sem tocar na capital inglesa, retumbava em uma das salas do Queen Elizabeth Hall, na terça-feira: "Ninguém faz idéia de quem vem lá."

Embora distante da Inglater-
ra por esse longo período,
a letra da canção certamente não fazia uma auto-referência. O primeiro disco do pernambucano foi gravado em 1982 e de lá para cá já são mais de 500 composições assinadas pelo "cantautor" - como gosta de ser chamado - e com isso um crescente reconhecimento nacional e internacional. As mais recentes provas são os dois prêmios Grammy recebidos no início de novembro - Melhor Álbum Brasileiro Contemporâneo e Melhor Canção Brasileira - além da especialíssima participação na programação do Ano Internacional do Brasil na Franca, ocorrida no primeiro semestre desse ano.
O parceiro musical do pelotense Vítor Ramil - citado na entrevista ao Diário Popular, único jornal brasileiro no espetáculo - apresentou aos ingleses o disco cujo nome faz menção ao Cité de la musique, casa de espetáculos de Paris onde ele tocou em abril - tornando-se com isso o segundo brasileiro a se apresentar no local (o primeiro foi Caetano Veloso). O concerto rendeu o DVD e o CD intitulado InCite que o próprio autor define como uma homenagem ao trovador medieval, originário na Franca. "É por isso que uso o neologismo 'cantautor'. Todos os que cantam as próprias músicas que compõem são descendentes diretos dos trovadores", explica.
No show em uma das principais casas de espetáculos de Londres, à margem do Tâmisa, Lenine tocou com mais três instrumentistas e além das músicas inéditas apresentou sucessos como Tá relampiano, Jack soul brasileiro e Alzira e a torre. O destaque das novidades são a premiada Ninguém faz idéia; Rosebud, que mostra um dilema entre "a verba e o verbo"; a vibrante Do it e a curiosa Todas elas juntas num só ser, em que Lenine lista dezenas de musas de canções brasileiras e internacionais.


Lenine: "Eu faço música para procurar a beleza"

Diário Popular (DP) - O que significa para o Lenine artista, mas também cidadão brasileiro, receber esse reconhecimento internacional cujo reflexos se vê em premiações como o Grammy?
Lenine - É a certeza de que as pessoas que estão comigo formam uma equipe acertada. Esses prêmios reiteram a qualidade do grupo de profissionais com o qual conto. Eu faço o que eu quero da maneira como eu quero e o público tem gostado.

DP - Recentemente você declarou que a música brasileira atual está numa das suas melhores fases. Com quais critérios você faz essa afirmação?
Lenine - Se você visse a quantidade de material que eu recebo mensalmente você saberia. São mais de 20 CDs todo o mês que revelam o tanto que tem sido feito de bom pelo país. No trabalho de produção do disco de Maria Rita, em que selecionamos composições inéditas, também foi possível observar a quantidade de coisas novas, ultranovas que têm sido produzidas.

DP - A musicalidade de grupos como o Cordel do Fogo Encantado, também de Pernambuco, seria um exemplo? Como se pode entender a idéia de novo?
Lenine - A rapaziada do Cordel é um exemplo de uma questão pouco debatida no Brasil que é o embate tácito entre a cultura litorânea e a interiorana. Esta mostra suas garras agora porque isso depende do foco, depende de para onde as luzes estão apontando no momento. No entanto, sempre há o novo, sempre há em qualquer lugar almas inquietas e curiosas.
DP - Você faz música nova?
Lenine - Eu faço música e depois tento detectá-la. Eu faço música para procurar a beleza.

DP - E a relação política disso tudo. Há uma isenção possível?
Lenine - Realmente não acredito que a arte seja apolitical, mas prefiro que ela seja apartidária. As questões que a arte pode abordar são da humanidade, não são de partidos e com isso a música pode continuar isenta. Por isso nunca subi em palanque, mas sou petista.

DP - Ainda hoje?
Lenine - Claro que sim! Votei no Lula em todas as suas candidaturas.

DP - Votaria no Lula de novo?
Lenine - Lógico que votaria! Não é porque uma parcela da esquerda fez o que a direita sempre quis que a gente vai jogar tudo fora. Sacana tem em tudo que é lado.

DP - De volta à música, quais os artistas no Rio Grande do Sul que você destacaria?
Lenine - O Rio Grande do Sul tem uma cena rock muito forte. O pessoal da Cachorro Grande, por exemplo, tem feito um trabalho muito legal. E tem também o Vítor Ramil que é um grande músico e parceiro. Nós somos da mesma geração. Fomos para o Rio de Janeiro na mesma época e a gente pensa muito parecido. Agora no retorno para o Brasil faremos show ainda em dezembro em Curitiba e em Porto Alegre fizemos no dia 28 de outubro, mas em breve a gente vai pro Sul de novo.

"As questões que a arte pode abordar são da humanidade, não são de partidos e com isso a música pode continuar isenta. Por isso nunca subi em palanque, mas sou petista."


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