Sexta,27.04.2001
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Instantâneos: O filme e a vida


Há alguns dias assisti ao filme Chocolate no cine Capitólio, gostei muito e na minha opinião deveria ter ganho o Oscar de melhor filme, pois nos leva a reflexão, um filme para repensar nossa vida, nossa rotina, nossa cidade, o lugar onde vivemos, nossa qualidade de vida. Quem me conhece sabe que desde a minha adolescência tenho vontade de mudar de cidade, viver em outro lugar, mas até agora não foi possível, deve ser por causa do tal karma.
Voltando ao filme, ele nos mostra com clareza o medo do novo, do diferente, de arriscar para melhorar, de ver a vida de diversos ângulos e escolher o que é melhor para nós, o que nos dá prazer, alegria, o que nos faz ter vontade de continuar a luta de cada dia.
Quando ficamos muito tempo no mesmo lugar temos tendência a criar vícios como temores (como exemplo: será que estou me comportando de acordo com o meio? O que será que estão pensando de mim? Será que estou agradando?) É uma neurose coletiva. Perdemos a nossa espontaneidade, vivemos muito em função dos outros e automaticamente esquecemos os nossos objetivos principais.
Pelotas não é uma cidade pequena mas parece uma província. O medo de crescer é de impressionar, é como diz o ditado "quem não arrisca não petisca". Continuando em Pelotas mas mudando de assunto: os "universitários' da UFPel querem receber o diploma em casa? Se é que chegarão lá. Se vocês não têm condições de pagar ônibus para o campus com certeza não têm para comprar livros, então, que profissionais serão vocês? Não será mais proveitoso procurar trabalho como por exemplo ajudante de pedreiro, babá, doméstica, garçom... (todos trabalhos dignos mas que não precisam de muito raciocínio)?
O que dá para perceber é que estudar, ler bons livros não é a real intenção de vocês baderneiros.
O discurso é sempre o mesmo "abaixo o paternalismo", mas só da boca para fora.
til de souza ayres
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